Repercutiu no fim de semana a aprovação, pela Câmara de Vereadores, da proposta de criação do Dia do Orgulho Hétero – ideia do vereador Carlos Apolinário (DEM) – e a declaração do prefeito Gilberto Kassab (PSD) de que a data não configura homofobia.
Colunista da “Folha de S.Paulo”, Fernando de Barros e Silva ironizou(para assinantes) a queda de Apolinário pelo troca-troca político – já esteve PMDB, PGT, PDT e, agora, no DEM. Mas, apesar dessa liberalidade ideológico e partidária, o vereador mostra-se pragmático em suas convicções ao conseguir aprovar o Dia do Orgulho Hétero, algo que tenta desde 2005 – “um monumento à homofobia chancelado pela casa legislativa da maior cidade do país”.
Barros e Silva considera “triste” e “cômica” a proposta, que demonstra – diz ele – a “sucupirização explícita da Câmara Municipal de São Paulo”. “Cada vereador custa aos cofres públicos R$ 115 mil por mês”, lembra.
“Os heterossexuais não são uma minoria, nem quantitativa nem sob o aspecto comportamental. Não existe discriminação – piadas, humilhações, ameaças e agressões, físicas ou morais – a casais ou pessoas hétero”, escreve. “Mas essa não é apenas uma lei inútil. Trata-se de uma iniciativa nociva, que, a pretexto de ‘resguardar a moral’, atiça o preconceito, incorporando-o ao calendário oficial da cidade”.
Outro colunista da “Folha de S.Paulo” repercutiu com mais humor. Para Marcelo Coelho, o Dia do Orgulho Hétero será para que todos sejam “machos por um dia”. “Nos outros 364 dias, envergonhe-se de ser preconceituoso, estuprador, ou simplesmente inseguro e vítima do autopreconceito”, escreveu. “Me segura que eu vou”, concluiu.
Num tom um pouco mais incisivo e dizendo-se afrontado, o deputado Jean Wyllys divulgou uma carta ao prefeito de São Paulo afirmando ser a proposta aprovada pela Câmara uma violação do “princípio constitucional da igualdade”. Kassab afirmara não ver problemas em criar o Dia do Orgulho Hétero.
Aprovada pela Câmara, a data ainda precisa da assinatura do prefeito. De acordo com a proposta do vereador Carlos Apolinário, o terceiro domingo de dezembro seria reservado à celebração da “moral” e dos “bons costumes”.
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