São, sim!, autores intelectuais do atentado na Noruega

Apesar de terem condenado o atentado na Noruega, os partidos extremistas de direita são, de certa forma, autores intelectuais do crime. A opinião é de Stefan Schölermann, ouvido pela correspondente de “O Globo” em Berlim, Graça Magalhães-Ruether, e vai ao encontro do que escreveram ontem à “Folha de S.Paulo” Clóvis Rossi Vladimir Safatle e, na segunda-feira, 25, este Um Outro Olhar, em “Intolerância mata – literalmente”.

Para o especialista em extrema-direita, esses partidos legitimam ideias que vão “contra a sociedade aberta e tolerante” e aponta para o que há de comum entre o que defende o assassino de Oslo e as tais organizações: “o medo dos imigrantes, o medo do Islã, o medo do casamento homossexual”.

De Rena, na Noruega, o repórter do jornal espanhol “El País” Juan Gómez revela o sentimento de populares que votaram no Partido do Progresso, do qual o assassino era militante. Repare a sutileza do jornalista. “O homem não entende é porque [Anders] Breivik matou ‘jovens brancos e noruegueses´. Se tanto odiava os mulçumanos, ‘que matasse jovens mulçumanos e negros'”.

“Traduzindo: parece tolerável matar desde que seja mulçumanos e negros”, observa o experiente jornalista Clóvis Rossi. Outro que observa o mesmo movimento racista e intolerante em partidos de extrema direita que legitimam atitudes limites como a do norueguês é o filósofo Vladimir Safatle, para quem, como o fascismo e o nazismo, esse movimento radical em ascensão na Europa visa estipular um “modelo de forma de vida”.

Este Um Outro Olhar concorda, como expôs ainda no dia 25, quando afirmara que em comum na pregação dos partidos extremistas de direita e as ações como as de Breivik – e outras de violência por preconceito – está a ideia de que “são superior – por ser rico, por ser branco, por ser hétero, por ser homem, por ter determinadas características físicas”.

No Brasil, até pelo fisiologismo do jogo político-partidário, não há claramente um partido tão radicalmente à direita, mas discursos de congressistas e líderes fundamentalistas religiosos – como este Um Outro Olhar tantas vezes denunciou – são facilmente identificáveis – é só fazer o exercício prestar atenção aos discursos e às ações.

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