Youtube censura beijo gay

Apesar de a classificação indicativa do Ministério da Justiça considerar iguais beijo entre homem e mulher, entre duas mulheres ou entre dois homens, o Youtube resolveu censurar para maiores de 18 anos o vídeo de Rafael Puetter que aqui postamos no último dia 10.

A “classificação18 anos” é adotada quando há imagens com sexo e nudez, apologia ao ódio, imagens chocantes ou repugnantes e atos perigosos e ilegais. Não é o caso, como você pode ver.

Puetter respondeu com outro vídeo, questionando a própria rede social.

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Jornalistas da Folha divergem sobre gays na TV

Os novelistas têm errado a mão e exagerado no mundo gay que tentam representar na TV, opina o jornalista e editor de entretenimento da “Folha de S. Paulo”, Ricardo Feltrin.

Via jornal (para assinantes), ele diz que “o problema” é que os autores têm exagerado, porque o “mundo real parece bem menos gay do que o que os novelistas querem”.

Há, no entanto, quem discorde – dentro da própria Redação.

Para o jornalista Victor Angelo, também do diário, “os gays ainda não conquistaram sua cidadania plena nas telenovelas”. “Diminuir a presença gay na TV torna o debate da homofobia desigual se comparado ao de questões como o racismo ou a opressão à mulher, amplamente discutidas nas tramas de novelas”, escreve.

Ricardo Feltrin:

Até o final da década de 90, os gays quase sempre eram retratados de forma jocosa em novelas, seriados e minisséries. São lendários personagens em tramas de todos os horários na Globo. No SBT, a descoberta é mais recente.
Parece que foi só neste novo século que as TVs descobriram o politicamente correto e passaram a retratar minorias com mais fidelidade.
A despeito dos vários beijos gays prometidos por autores da Globo e do SBT, e que não foram exibidos por ingerência das direções das TVs, não há dúvida de que os novelistas escrevem hoje um texto mais honesto, sério e justo para personagens gays, negros e também deficientes físicos, doentes terminais etc.
O problema é que, assim como todo ano as organizações LGBT “inflam” e chutam para cima o número de pessoas presentes à passeata na Paulista, talvez os autores agora estejam “inflando” o espaço à temática e a seus personagens. O mundo real parece bem menos gay do que o que os novelistas querem.

Victor Angelo:

Falar num crescimento exagerado de personagens gays nas novelas merece cautela. Na recente reprise de “Vale Tudo”, dos anos 80, havia o mordomo culto e afetado, o filho que o pai desconfiava ser homossexual e o michê que virou amante de um príncipe. Tudo muito enrustido, mas já presente.
Nos humorísticos, a chamada “bicha caricata” existe há décadas -um elemento importante para a chamada visibilidade gay.
Está desfocada a ideia de que os vetos das emissoras para baixar a bola da bandeira colorida foram provocados por uma overdose gay na TV. Eles não são nem maioria nem protagonistas das novelas. O que está em “close” não é supremacia, mas igualdade.
Diminuir a presença gay na TV torna o debate da homofobia desigual se comparado ao de questões como o racismo ou a opressão à mulher, amplamente discutidas nas tramas de novelas. A conclusão é uma só: os gays ainda não conquistaram sua cidadania plena nas telenovelas.

Este blog já tratou da decisão das emissoras de TV – principalmente a maior delas, a Globo – de “baixar a bola” dos gays em suas novelas.

Um Outro Olhar entende que, especificamente em Insensato Coração, não perde grande coisa a representação LGBT por se tratar de uma trama “forçada, que não inspira verossimilhança, [que] peca em diálogos clichês e [que], em vários momentos, veem-se falas sem naturalidade”.

No entanto, o argumento de que não se quer “exaltar” a homossexualidade está por completo errado. Denunciar o mecanismo da violência por preconceito não é exaltação.

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